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Ministro André Mendonça afirma que Vorcaro usava estrutura para coação e vigilância
Ministro do STF aponta indícios de organização criminosa, monitoramento ilegal e ameaça a jornalista; investigação cita prejuízo bilionário. Foto: Reprodução

Redação | Capixaba Hoje e Agência Brasil

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (04/03/2026) a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A decisão atende a pedido da Polícia Federal (PF) e inclui outros três investigados. Segundo o ministro, há indícios de que o grupo mantinha estrutura voltada à vigilância e intimidação de pessoas consideradas contrárias aos interesses da instituição financeira.

De acordo com a decisão, as investigações apontam possível esquema de fraude que pode representar o maior caso do sistema financeiro nacional. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estima que os ressarcimentos a clientes lesados possam ultrapassar R$ 50 bilhões.

A apuração indica que Vorcaro mantinha interlocução com dois ex-integrantes do Banco Central do Brasil (BC): Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana. Conforme a decisão, ambos teriam atuado como espécie de consultores informais, com acesso a informações estratégicas.

Além do banqueiro, foi decretada a prisão de Fabiano Zettel, apontado como responsável por pagamentos e cobranças do grupo. Parte dos valores, segundo a PF, era destinada a um núcleo denominado “A Turma”, descrito como estrutura dedicada ao monitoramento e à intimidação de alvos, entre eles concorrentes, ex-funcionários e jornalistas.

Entre os investigados está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado nas mensagens como “Sicário”. Na decisão, Mendonça afirma que há indícios de que ele executava atividades de obtenção de informações sigilosas e monitoramento de pessoas. A PF aponta que ele recebia pagamentos mensais de R$ 1 milhão. Também foi preso o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, suspeito de auxiliar na coleta de dados sensíveis.

O ministro reproduziu trechos de diálogos em que Vorcaro menciona a possibilidade de simular um assalto para agredir um jornalista. Nesta quarta-feira (04/03/2026), o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, declarou ser o alvo das conversas citadas. Para Mendonça, os elementos indicam tentativa de constranger e silenciar profissional da imprensa.

A PF apura suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de Justiça. A defesa dos citados não havia se manifestado até a última atualização.

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