EspÍrito Santo,Policial
Justiça decreta prisão preventiva de PM que executou mulheres em Cariacica; “Ele é um psicopata”, diz irmã de vítima

 O cenário de horror que paralisou a Grande Vitória na última semana ganha novos e revoltantes capítulos. A Justiça do Espírito Santo converteu em preventiva a prisão do cabo da Polícia Militar, Luiz Gustavo Xavier do Vale, responsável pela execução de Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto. O crime, registrado por câmeras de monitoramento, não deixou dúvidas sobre a brutalidade da ação: as vítimas foram mortas a tiros enquanto estavam sentadas, indefesas, em uma calçada no bairro Itacibá.

O Desabafo no IML

Na manhã desta sexta-feira (10), o clima no Instituto Médico Legal (IML) de Vitória era de absoluta consternação. Durante a liberação do corpo de Francisca Chaguiana, sua irmã rompeu o silêncio em um depoimento carregado de dor e indignação.

“Ele não é um policial, ele é um psicopata que estava fardado. Minha irmã não teve chance de defesa. Elas estavam sentadas, conversando, e ele chegou atirando. A farda deveria servir para proteger, não para dar licença para matar”, desabafou aos prantos.

Imagens Contestam Versão Inicial

Embora o militar tenha tentado alegar inicialmente uma suposta ameaça ou reação, as imagens de vídeo coletadas pela Polícia Civil desmontaram qualquer narrativa de legítima defesa. O registro visual confirma uma execução sumária. O cabo Luiz Gustavo aproxima-se e efetua os disparos à queima-roupa. A perícia técnica indicou que as vítimas foram atingidas em áreas vitais, impossibilitando qualquer socorro.

Histórico de Violência e Falha no Sistema

O caso levanta um questionamento urgente sobre os critérios de avaliação e permanência de agentes armados nas ruas. Luiz Gustavo Xavier do Vale já estava sob o radar da Corregedoria e da Justiça: ele era investigado pelo assassinato de uma mulher trans, crime ocorrido anteriormente.

O fato de um agente com histórico de violência letal e investigações em curso permanecer na ativa, portando arma do Estado, coloca a cúpula da Segurança Pública e o comando da Polícia Militar sob forte pressão da sociedade civil e de órgãos de Direitos Humanos.

Desdobramentos e Rigor na Investigação

O governador do estado e o Secretário de Segurança Pública reafirmaram que “não haverá complacência com desvios de conduta”. O cabo foi encaminhado ao Presídio Militar, no Quartel do Comando Geral, em Maruípe. Além do processo criminal por homicídio qualificado — com agravantes de motivo fútil e impossibilidade de defesa das vítimas —, ele responderá a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que deve culminar em sua expulsão da corporação.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) e movimentos sociais promovem uma manifestação em frente à Assembleia Legislativa no final da tarde de hoje, pedindo por justiça e por uma reforma imediata nos protocolos de saúde mental e acompanhamento psicossocial da tropa.

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