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Costa Rica elege Laura Fernández: candidata de direita promete “Terceira República” e reforma constitucional

Com discurso focado em mudanças profundas e valores conservadores, cientista política de 39 anos vence no primeiro turno e abre debate sobre reeleição no país centro-americano.

DA REDAÇÃO | CAPIXABA HOJE COM AGÊNCIA LUSA

A Costa Rica confirmou, no último domingo (1º), uma guinada em sua história política recente. Laura Fernández, candidata de direita pelo Partido Soberano do Povo (PPSO), foi eleita presidente em primeiro turno. Com 88,4% das urnas apuradas, a cientista política de 39 anos alcançou 48,5% dos votos válidos, superando com folga o patamar mínimo de 40% exigido pela legislação local.

O resultado representa a manutenção do atual grupo político no poder, mas com uma retórica de ruptura institucional. Em seu discurso de vitória na capital, São José, Fernández prometeu a criação de uma “Terceira República”.

O que é a “Terceira República”?

O termo utilizado pela presidente eleita é carregado de simbolismo. Na Costa Rica, a “Segunda República” refere-se ao modelo adotado após a Guerra Civil de 1948, marcado pela abolição das Forças Armadas e pela atual Constituição.

Embora não tenha detalhado todos os planos, Fernández deixou claro que seu mandato será de “mudança profunda e irreversível”. Durante a campanha, ela defendeu reformas no sistema judiciário e em instituições estatais. No entanto, o ponto que mais gera tensão com a oposição é a intenção de reformar a Constituição para permitir a reeleição presidencial — algo hoje proibido e que impediu o atual e popular presidente, Rodrigo Chaves, de concorrer novamente.

“Aqui não há ditadura”

A vitória de Laura Fernández foi recebida com cautela por figuras históricas do país. O ex-presidente e Prêmio Nobel da Paz, Oscar Arias, chegou a declarar que a sobrevivência da democracia estava em causa, comparando o desejo de reforma constitucional ao comportamento de regimes autoritários.

Em resposta às críticas, o atual presidente Rodrigo Chaves rebateu: “Aqui não há ditadura”. Já a presidente eleita definiu-se como uma “democrata convicta” e “defensora da liberdade, da vida e da família”, tentando tranquilizar os setores mais céticos.

Cenário Político

O principal adversário, Álvaro Ramos (Partido da Libertação Nacional, de centro-esquerda), obteve 33,3% dos votos. Ramos reconheceu a derrota e prometeu uma oposição construtiva, mas alertou que não apoiará medidas que considerar prejudiciais ao país.

Laura Fernández deve assumir o cargo no dia 8 de maio. Até lá, o foco internacional estará voltado para a transição e para os primeiros passos concretos de sua proposta de reformulação do Estado costarriquenho.

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