EspÍrito Santo
‘Fábrica de Fantasmas’: Três mulheres são condenadas por rombo milionário no INSS no ES

Esquema criava identidades de pessoas inexistentes e usava digitais de ‘analfabetos’ para sacar benefícios. Penas somadas ultrapassam 17 anos de prisão e ressarcimento de R$ 4,5 milhões.

DA REDAÇÃO CAPIXABA HOJE

A Justiça Federal condenou três mulheres por operarem uma verdadeira “fábrica” de documentos falsos para fraudar o INSS no Espírito Santo. O esquema, que funcionou impunemente entre 2012 e 2019, causou um prejuízo estimado em mais de R$ 7 milhões aos cofres públicos. A sentença, proferida pela 2ª Vara Federal Criminal de Vitória, detalha um método audacioso de enganar o sistema previdenciário.

As condenadas são Graziela Conceição Lobato Falagan, apontada como a mentora do grupo; Ilma Itamar dos Santos, o braço operacional; e Sandra Maria Pereira de Oliveira.

Como funcionava a “Fábrica de Identidades”

Segundo as investigações da Polícia Federal, o grupo não apenas falsificava papéis, mas criava “pessoas fantasmas”. Eram produzidos kits completos com certidões de nascimento, CPFs e títulos de eleitor de indivíduos que nunca existiram.

Para facilitar os saques e evitar suspeitas em assinaturas, as rés registravam as identidades falsas como sendo de pessoas não alfabetizadas. Dessa forma, conseguiam realizar provas de vida e retiradas bancárias utilizando apenas as impressões digitais, o que dificultava a perícia grafotécnica imediata.

Condenações e Valores

As penas foram aplicadas de acordo com a participação de cada uma no esquema:

  • Graziela Falagan (Líder): Condenada a 9 anos, 7 meses e 16 dias de prisão. Deve ressarcir R$ 3,2 milhões.

  • Ilma Itamar (Operacional): Condenada a 7 anos e 13 dias de prisão. Deve devolver R$ 1,2 milhão.

  • Sandra Maria: Pena de 1 ano e 4 meses (reduzida por ter mais de 70 anos). Deve pagar R$ 92 mil.

Análise Crítica: Onde falhou o sistema?

Embora a condenação seja um passo importante para a justiça, o caso levanta um questionamento incômodo: como uma estrutura de “fábrica” conseguiu operar por sete anos sem ser detectada pelos filtros automáticos do INSS? A fraude só veio à tona após uma denúncia anônima, e não por auditoria interna.

O uso de digitais para beneficiários “analfabetos” se mostrou um ponto cego crítico na segurança previdenciária, permitindo que milhões saíssem dos cofres públicos para o bolso de criminosos enquanto segurados legítimos, muitas vezes, enfrentam filas e rigor excessivo para conseguir o que é de direito.

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